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Medo de vacina provoca doença que causa até convulsões

Psiquiatras do H C da Faculdade de Medicina da USP identificaram transtorno causado pelo temor da vacina contra HPV no Acre
Medo de vacina provoca doença que causa até convulsões

Medo de vacina provoca doença que causa até convulsões

Brenda Marques, do R7

O medo de tomar uma vacina pode causar febre, dor generalizada, desmaios e até convulsões. Esses são sintomas da doença psicogênica diagnosticada em um estudo feito pelo IPq (Instituto de Psiquiatria) do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP). Os casos aconteceram em crianças e adolescentes que tomaram a vacina contra o vírus HPV no Acre.

A análise foi feita com 74 pessoas no começo de 2019 a pedido do Ministério da Saúde. Após uma triagem, os médicos escolheram 16 casos considerados mais graves pela ocorrência de convulsão. Destes, 12 já foram avaliados: dez meninas e dois irmãos com idade média de 13 e 14 anos

Com a realização de exames, foi constatado que as dez meninas não tinham nenhuma doença neurológica causada por lesão ou alteração no sistema nervoso central.

 

“A crise psicogênica é uma doença funcional. O sistema nervoso central reage de maneira abrupta a uma situação de grande estresse psicológico ou ameaça compartilhada”, explica José Gallucci, coordenador da Unidade de Videoeletroencefalografia do IPq.

“Nesse caso, a crise se originou pelo medo de vacinar, e não pelo ato em si. A vacina é totalmente segura”, garante.

Ainda de acordo com o especialista, vários motivos podem levar uma pessoa com estresse a ter crise psicogênica. Em relação ao surto no Acre, além do receio sobre a vacina, as pessoas tinham algumas características em comum.

“Elas vêm de famílias simples, com problemas como desemprego e para se relacionar internamente”.

Além disso, uma hipótese é que o movimento antivacina tenha ajudado a amplificar o fenômeno.

“Muitas famílias começaram a compartilhar vídeos nas redes sociais das crianças tendo convulsão. E algumas crises ocorreram depois de assistirem a essas cenas”, afirma o psiquiatra.

Os dois irmãos, por sua vez, foram diagnosticados com epilepsia de origem genética.

“Nesse caso, a vacina pode ter sido um gatilho para a crise epilética. Mas ela se manifestaria em algum momento da vida, independente da vacinação”, ressalta o psiquiatra.

Os escolhidos passaram por avaliação no Hospital das Clínicas de São Paulo com uma equipe que reuniu 17 profissionais de diferentes áreas da medicina. Eles ficaram 15 dias internados no serviço de videoeletroencefalografia do IPq.

“Durante o exame, a atividade cerebral do paciente é monitorada por eletrodos. Assim, dá para registrar a convulsão e a sua correlação com lesões ou comportamentos do paciente”, descreve Gallucci. Ao todo, foram 300 horas de monitoramento.

O tratamento de doenças psicogênicas é feito com uma técnica chamada terapia comportamental cognitiva, sem o uso de remédios. Por meio dele, é possível controlar crises e reduzir danos, diz Gallucci.

Essa técnica é capaz de reeducar o sistema nervoso sobre como reagir a situações de estresse e, assim, promove uma mudança de comportamento”, explica. “Inclusive, a gente se dispôs a treinar os médicos do Acre para tratar as meninas”, acrescenta.

O especialista ressalta que doenças psicogênicas por medo de vacina já aconteceram outras vezes. “Por exemplo, em casos de imunização contra cólera, H1N1 e até pela vacinação com gotinhas”, lembra. “Mas, com certeza, o movimento antivacina fez isso piorar”, pondera.

Devo tomar o reforço da vacina contra o sarampo? Caso tenha o registro das duas doses da vacina na carteira de vacinação, sendo a primeira dose tomada após 1 ano de idade, não precisa tomar o reforço, segundo o pediatra Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Somente após o ano 2000 é que a vacina contra o sarampo passou a ser ministrada em duas doses no país. Portanto, quem nasceu antes de 2000 provavelmente não tomou a segunda dose e deve tomar o reforço. A vacina monovalente, que era ministrada em uma única dose antes de 1 ano de idade, não era tão eficaz como a trivalente, oferecendo apenas 70% de proteção, por causa da interferência dos anticorpos da mãe, explica o médico.

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O medo de tomar uma vacina pode causar febre, dor generalizada, desmaios e até convulsões. Esses são sintomas da doença psicogênica diagnosticada em um estudo feito pelo IPq (Instituto de Psiquiatria) do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP). Os casos aconteceram em crianças e adolescentes que tomaram a vacina contra o vírus HPV no Acre.

A análise foi feita com 74 pessoas no começo de 2019 a pedido do Ministério da Saúde. Após uma triagem, os médicos escolheram 16 casos considerados mais graves pela ocorrência de convulsão. Destes, 12 já foram avaliados: dez meninas e dois irmãos com idade média de 13 e 14 anos

Com a realização de exames, foi constatado que as dez meninas não tinham nenhuma doença neurológica causada por lesão ou alteração no sistema nervoso central.

 

“A crise psicogênica é uma doença funcional. O sistema nervoso central reage de maneira abrupta a uma situação de grande estresse psicológico ou ameaça compartilhada”, explica José Gallucci, coordenador da Unidade de Videoeletroencefalografia do IPq.

“Nesse caso, a crise se originou pelo medo de vacinar, e não pelo ato em si. A vacina é totalmente segura”, garante.

Ainda de acordo com o especialista, vários motivos podem levar uma pessoa com estresse a ter crise psicogênica. Em relação ao surto no Acre, além do receio sobre a vacina, as pessoas tinham algumas características em comum.

“Elas vêm de famílias simples, com problemas como desemprego e para se relacionar internamente”.

Além disso, uma hipótese é que o movimento antivacina tenha ajudado a amplificar o fenômeno.

“Muitas famílias começaram a compartilhar vídeos nas redes sociais das crianças tendo convulsão. E algumas crises ocorreram depois de assistirem a essas cenas”, afirma o psiquiatra.

Os dois irmãos, por sua vez, foram diagnosticados com epilepsia de origem genética.

“Nesse caso, a vacina pode ter sido um gatilho para a crise epilética. Mas ela se manifestaria em algum momento da vida, independente da vacinação”, ressalta o psiquiatra.

Os escolhidos passaram por avaliação no Hospital das Clínicas de São Paulo com uma equipe que reuniu 17 profissionais de diferentes áreas da medicina. Eles ficaram 15 dias internados no serviço de videoeletroencefalografia do IPq.

“Durante o exame, a atividade cerebral do paciente é monitorada por eletrodos. Assim, dá para registrar a convulsão e a sua correlação com lesões ou comportamentos do paciente”, descreve Gallucci. Ao todo, foram 300 horas de monitoramento.

O tratamento de doenças psicogênicas é feito com uma técnica chamada terapia comportamental cognitiva, sem o uso de remédios. Por meio dele, é possível controlar crises e reduzir danos, diz Gallucci.

Essa técnica é capaz de reeducar o sistema nervoso sobre como reagir a situações de estresse e, assim, promove uma mudança de comportamento”, explica. “Inclusive, a gente se dispôs a treinar os médicos do Acre para tratar as meninas”, acrescenta.

O especialista ressalta que doenças psicogênicas por medo de vacina já aconteceram outras vezes. “Por exemplo, em casos de imunização contra cólera, H1N1 e até pela vacinação com gotinhas”, lembra. “Mas, com certeza, o movimento antivacina fez isso piorar”, pondera.

Devo tomar o reforço da vacina contra o sarampo? Caso tenha o registro das duas doses da vacina na carteira de vacinação, sendo a primeira dose tomada após 1 ano de idade, não precisa tomar o reforço, segundo o pediatra Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Somente após o ano 2000 é que a vacina contra o sarampo passou a ser ministrada em duas doses no país. Portanto, quem nasceu antes de 2000 provavelmente não tomou a segunda dose e deve tomar o reforço. A vacina monovalente, que era ministrada em uma única dose antes de 1 ano de idade, não era tão eficaz como a trivalente, oferecendo apenas 70% de proteção, por causa da interferência dos anticorpos da mãe, explica o médico.

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Brenda Marques, do R7

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