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Veracel completa 14 anos com uma história negativa de graves acusações de grilagens de terras públicas, funcionários adoecendo, contaminação do meio ambiente e sumiço de gados

várias reportagens mostram o lado obscuro da multinacional que não se preocupa com soluções

A Veracel está completando 14 anos de operações no extremo sul da Bahia, mas e as denúncias contra a empresa?

Nestes 14 anos de operações da Fábrica Veracel, muitos problemas ainda continuam sem soluçõe, graves denúncias contra a Veracel se propagam ao longo do tempo e o Futucando vem acompanhando e cobrando soluções  da Veracel celulose, acusada de praticar atos prejudiciais ao meio ambiente, às vidas de trabalhadores rurais que vivem um clima de terror com suas famílias sendo expulsas de terras questionadas na justiça e que não chegam nunca a uma solução.

A multinacional tem investido nas propagandas que lhe faz parecer ser uma empresa modelo, geradora de empregos, de impostos e amiga da natureza com a recuperação de “áreas de matas nativas”. Porém, basta uma pesquisa na web para ver que nem tudo são flores e a multinacional que tem contratos de publicidades com a grande mídia, detém o poder de publicar só o que interessa para a sua “imagem” de boa empresa.

Acusada de destruir e agredir o meio ambiente, a multinacional não planta florestas por ser boazinha, mas precisa cumprir normas internacionais que lhe garantam selos de qualidade, uma espécie de atestados de boa conduta, para garantir a venda de seus produtos com o único fim de faturar milhões com a venda de celulose mundo afora. A Veracel é obrigada a obedecer às leis brasileiras ambientais e já foi condenada diversas vezes por cometer vários crimes contra o meio ambiente e contra a vida de trabalhadores, conforme informações que serão destacadas nesta reportagem.

A Fábrica:

A Veracel chegou ao sul da Bahia como um messias chega ao deserto. Cheia de promessas, instalou-se ao lado de uma das maiores tragédias sociais brasileiras, Barrolândia, povoado miserável e esquecido na parte pobre e sem turistas do sul da Bahia. Em 2003, durante a construção da fábrica, Barrolândia era campeã brasileira de hanseníase e de outras doenças da Idade Média.
De cara, a Veracel mudou esse cenário.Saneou Barrolândia, colocou esgoto em quase todas as casas.
Da Suécia, trouxe a rainha Silvia. Ela inaugurou uma escola que levava seu nome e anunciou (junto com os suecos donos de parte da empresa) que, a partir daquele dia, tudo iria mudar para aquele povo miserável, campeão de doenças.
Parecia um filme com final feliz. Antes de iniciar as operações em 2005, a empresa chegou ao ponto de instalar, no porto de embarque de celulose que construiu em Belmonte, lâmpadas especiais para não atrapalhar a vida das tartarugas que habitam a região.
Aos pescadores, a Veracel doou câmaras frigoríficas e prometeu que seus pontos de pesca jamais seriam tocados. Disse até que criariam um pesqueiro artificial, em outro ponto da costa, para ficar de reserva caso ocorresse alguma improvável emergência no pesqueiro natural, já que por ali passariam seus navios.
Quando saíram as primeiras notícias sobre a fábrica, em 2003, os agricultores viviam um momento de grande euforia. Estavam assinando vantajosos contratos de comodato, liberando suas terras para a empresa plantar eucaliptos.
Naquela época, os fomentados foram atraídos como abelhas para o mel. A expectativa era de contratos de longuíssimo prazo, com baixíssimo risco e faturamento muito acima do que era proporcionado pela criação de animais ou pelo cultivo de mamão. Em pouco tempo, com uma forte política de parcerias locais, a empresa conseguiu chegar a 90 mil hectares de plantio, a cota necessária para tocar a produção de celulose na fábrica que seria inaugurada em setembro de 2005.

Veracel é acusada de agir como organização criminosa:

De acordo com a fala de um renomado e atuante Promotor de justiça de Eunápolis, “a Veracel atua como crime organizado” no extremo sul da Bahia.

O lado sombrio da multinacional, ao longo destes 14 anos, foram noticiados em vários veículos de comunicação e o Futucando vem sendo cada vez mais procurado, chamando a atenção das autoridades competentes contra os supostos abusos praticados pela Veracel, relatando graves crimes, como acusações de grilagens e usos irregulares de terras devolutas, utilizadas pela empresa, sem respeitar direitos de posseiros e movimentos sociais.

(i) Responsabilidade socioambiental (Observatório Social)

O plantio de eucaliptos de Veracel é certificado com o selo FSC, o mais importante do mundo. O processo de certificação aconteceu de forma totalmente irregular, apurou o próprio FSC. A empresa que certificou a Veracel foi a SGS, uma das maiores certificadoras do mundo. O escândalo repercutiu em todo o mundo. A SGS foi obrigada a se afastar da certificação florestal, após uma delegação do FSC comprovar irregularidades no processo envolvendo a Veracel.
Em 2011, o coordenador do Ministério Público em Eunápolis, João Alves Neto, acusou a empresa de “crime organizado”. Disse que a Veracel estava lavando dinheiro por intermédio de contas correntes em nome de agricultores fomentados por ela. O promotor identificou também a falsificação de documentos de limites de áreas que tinha o objetivo de ampliar o plantio de eucalipto em terras fomentadas.
Em diversos municípios do sul da Bahia, o Ministério Público identificou que as licenças ambientais foram “compradas” pela Veracel, principalmente em localidades sem estrutura fiscalizatória, sem Secretaria de Meio Ambiente e sem Conselho Municipal de Meio Ambiente. Em cidades de maior porte, como Eunápolis, o Ministério Público descobriu que a Veracel interferiu diretamente na nomeação do secretário de Meio Ambiente ao indicar quem ela queria no cargo. O caso está sob investigação.
A empresa também é acusada de sonegação de impostos. Diversos autos de infração foram lavrados nos últimos anos. A prefeitura de Eunápolis reconhece, formalmente, por meio de ofício enviado ao Ministério Público, a prática de sonegação de impostos e de ISS. Não é difícil descobrir as fraudes e os outros crimes. Basta adotar a velha regra: siga o dinheiro, pois seus rastros mostram para onde vão os lucros e de onde
vêm os financiamentos, prática particularmente grave no caso do BNDES, que controla essa cadeia produtiva e deveria ter o “social” como referência permanente de seus negócios. Porém, esse não é o caso quando se trata da produção de celulose na Bahia e no Espírito Santo.

Fraude e Corrupção

A coisa toda desandou em menos de cinco anos. No segundo semestre de 2012, o cenário é de terra arrasada. A Veracel está mergulhada em mais de 900 processos na Justiça do Trabalho e na Justiça comum; está sendo acusada de lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes; os fomentados estão revoltados, processando a empresa por quebra de contrato e plantio além da área delimitada; o Ministério Público reúne provas que configuram crime organizado. Em apenas um processo, a Justiça Federal cassa todas as licenças ambientais e condena a empresa a pagar R$ 20 milhões em multas. vão os 90 mil hectares usados no plantio de eucalipto. As licenças ambientais foram suspensas em razão das inúmeras fraudes identificadas nos processos de obtenção das licenças. A empresa não cumpriu a determinação judicial e recorreu. O processo está há anos parado na segunda instância, praticamente sem nenhuma movimentação.

Suborno de autoridades

Novas denúncias apareceram. O Ministério Público acusa a Veracel de corromper servidores públicos em diversas cidades do sul da Bahia para obter autorizações e licenças fraudulentas. A principal acusação é a de que a empresa subornou servidores para conseguir licenças ambientais sem a apresentação do relatório de impacto ambiental — o EIA/RIMA, o qual é obrigatório. A façanha foi alcançada devido a uma máquina de corrupção alimentada em dinheiro vivo pela Veracel, em todos os municípios onde mantém operações. A multa de R$ 20 milhões e a cassação das licenças foi o resultado de uma ação civil pública proposta em 1993 — quando a empresa começou suas atividades no sul da Bahia, com base em denúncias do SOS Mata Atlântica e do Greenpeace.

Terceirização ilícita e Invasão de terras:

Em 2010, a Veracel foi condenada por terceirização ilícita de mão de obra. O processo foi iniciado quando o Ministério Público do Trabalho identificou que a organização usou empresas terceirizadas para exercer atividade-fim, o que é ilegal. A multa foi de R$ 2 milhões.
Em 2011, mais problemas aparecem na cadeia produtiva. A empresa foi condenada por se apossar, de forma clandestina, de duas propriedades rurais que não faziam parte do contrato de arrendamento que mantinha com a empresa Suprema Empreendimentos Rurais, dona de duas fazendas que a Veracel invadiu para plantar eucaliptos na região sul do estado da Bahia.
A Veracel está massacrando os produtores rurais do sul da Bahia — desabafa o fazendeiro Arnold Prado, um dos fomentados que cedeu a terra para o plantio de eucaliptos.

Em 2003, quando foi procurado pela empresa, Arnold Prado produzia leite, abóboras, melancia e mamão. — A empresa disse que eu não precisava fazer nada, só assinar o contrato de fomento. Eles fariam o resto, entrariam com as mudas e fariam a manutenção do plantio até a hora da colheita.
— Depois que assinamos o contrato — continua ele — a empresa entrou com as máquinas e derrubou tudo. Mata nativa, as estrebarias, o plantio. Derrubou tudo. Quando os eucaliptos estavam plantados, a licença ambiental foi cassada. Resultado: a empresa não pode retirar os eucaliptos e Arnold não recebeu o pagamento. E mais: a retirada da mata nativa, pelas máquinas da Veracel, gerou um processo contra Arnold, que foi multado
e condenado a repor a vegetação. — A empresa, que obteve as licenças ambientais posteriormente cassadas, disse que não tinha nada a ver com isso e me deixou sem nada, com a terra parada, coberta de um eucalipto que eu não posso retirar.
Arnold processou a empresa e ganhou.  — Meu patrimônio ficou indisponível por vários anos. Não podia mais plantar, e nem podia vender a terra.
Arnold Prado é um entre dezenas de fazendeiros fomentados que fizeram péssimos negócios com a Veracel.

Neste ano de 2019 a 6ª Vara do Trabalho de Salvador condenou a Veracel Celulose a pagar uma indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 2 milhões pela prática de terceirização ilícita, precarização das relações de trabalho e descaso com o meio ambiente. O valor da indenização será revertido para a Instituição Assistencial Beneficente Conceição Macedo (IBCM). A ação civil pública foi ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho na Bahia (MPT-BA) e ainda cabe recurso da decisão.

Na sentença, a juíza do Trabalho Marília Sacramento ressaltou que os relatos das testemunhas do processo demonstram uma precarização das relações de trabalho e quebra do princípio equivalente entre os empregados da empresa e terceirizados. “A intermediação de mão de obra, no presente caso, teve o nítido intento de transferir, de maneira fraudulenta e ilegal, atividade de seu próprio fim, quando realiza desdobramento dos serviços do processo produtivo da madeira”, comentou a magistrada.

A empresa também foi condenada a não utilizar mão de obra terceirizada para prestação de serviços nas atividades de florestamento e reflorestamento em todos os empreendimentos em que há plantações da ré, próprios ou de fomento, e implantar medidas de segurança e de medicina do trabalho. O valor da indenização, de acordo com a magistrada, é proporcional e razoável com a causa, e pode ser arcado pela empresa.

Fazendas que andam e mudam de vizinhos: Irmãos Pereira lutam para não perder suas posses e acusam a Veracel de querer roubar as suas terras

A Veracel tem medo de perícias técnicas nas terras que alegam ser de suas propriedades, o fato é que a perícia poderia por fim a uma disputa de terras com dois agricultores em uma região conhecida como água Vermelha, local com histórico de crimes de grilagens de terras por pistoleiros que atuavam por lá nos anos 70. Os dois posseiros, Geraldo e Derolino, dizem ser donos de duas fazendas chamadas Conjunto São Geraldo e Boa União 1 e 2, teoricamente bem distantes do lugar que a Veracel alega ser a Fazenda Sítio Esperança de matrícula nº 5323, cujos confrontantes em sua maioria é a Embaúba S/A, usina que funciona a 22 km de distância e no Município de Santa Cruz de Cabrália.

Veracel é acusada de ter comprado 19.000 hectares de posses de terras públicas e possuir recibo dado por pistoleiro.

Um ex-funcionário da Veracel, de nome Jovane Vicente, afirmou em depoimento que a empresa só possui recibos na região onde se localiza as posses dos irmãos Pereira, adquiridos de um pistoleiro da época, e que ele, desde o final dos anos 80, reconhece os irmãos como donos das posses conquistadas com muito trabalho. Um processo de reintegração de posse foi movido pela Veracel contra movimentos de sem terras e acabou despejando também os irmãos agricultores que buscam a justiça e não entendem porque o processo se arrasta há anos sem ter tido uma audiência sequer e sem serem ouvidas as suas testemunhas.Os irmãos Pereira pedem a realização de uma perícia técnica e acusam a Veracel de querer roubar as suas terras. A história foi contada em documentário produzido por uma Tv finlandesa.

Vendas de posses de terras públicas com matrículas bloqueadas:

Recentemente, para fugir de processos, a Veracel teria vendido posses de terras públicas para sem terras em 2018, que conforme uma liderança de movimento social, aconteceu sob ameaças de novos despejos e com a participação do Governo da Bahia:

Conselho Nacional de Justiça manda bloquear matrículas de fazendas da Veracel e investiga fraudes envolvendo cartório de Registro de Imóveis em Eunápolis.

Presidentes da Stora Enso e da Veracel foram chamados de mentirosos e malandros:

 

Veracel é investigada por plantar além do permitido em Santa Cruz Cabrália:

Outra grave acusação contra a multinacional neste ano de 2019 é de ter extrapolado os limites de plantios estabelecidos por leis municipais, a exemplo da investigação que está sendo realizada pela Prefeitura de Santa Cruz Cabrália (leia aqui) e jogar veneno próximo a manancial de água utilizada por famílias de movimento social.

Pequeno criador acusa a Veracel de ter sumido com seu gado:

Outras acusações contra a Veracel, são de que muitas cabeças de gado apreendidas em estradas ou dentro de seus plantios, foram levadas para área da empresa, no viveiro localizado no bairro Itapoã e de lá desapareceram sem deixar rastros.

Veracel faz reintegração de posse sem mandados judiciais e guardas entram em confronto com sem terras em Santa Cruz Cabrália:

Há relatos de agressões envolvendo guardas da vigilância privada da Veracel contra integrantes de movimentos sociais (leia aqui), fato que chamou a atenção da TV Yle, canal de tv da Finlândia que produziu documentário (2019) exibindo para diversos países mostrando cenas reais de destruições de plantios de alimentos e agressões físicas.

Guardas da GPS são acusados de ameçar e apontar armas para supostos caçadores em Itagimirim

Quatro homens da cidade de Itagimirim, se sentindo humilhados, ingressaram com ações na justiça contra a Veracel e a empresa de Segurança GPS, após o vazamento de um vídeo feito pelos próprios guardas da empresa, mostrando o momento em que eles foram abordados pela segurança privada, com arma apontada contra eles. (leia aqui).

Demissões, doenças e processos trabalhistas: Veracel é acusada de vingança utilizando lista negra:

Há muitos ex-funcionários sofrendo com problemas de saúde e que foram demitidos e abandonados pela empresa, onde muitos já moveram processos trabalhistas, sendo que alguns foram indenizados e outros tantos passam dificuldades financeiras, devido às movimentações da Veracel que provocam o adiamento das audiências por anos, sem que a empresa sequer reconheça os direitos dos seus ex-colaboradores ou faça acordos. Ao Futucando, alguns ex-funcionários denunciaram que a empresa Veracel pratica o ato criminoso de queimar a imagem profissional deles, mantendo o desemprego por anos, usando a chamada lista negra, fatos que já fazem parte de processos movidos na esperança de que se faça justiça.

Agressões ao meio ambiente e à vida do ser humano:

Não faltam denúncias contra a Veracel no extremo sul da Bahia, devido aos seus impactos sociais, ambientais e econômicos. Exemplo disso é a situação no Embaré (distrito rural de Eunápolis), onde os moradores denunciam a empresa multinacional por estar usando em grandes quantidades os agentes químicos: glifosato, Round Up e Mirex em seus plantios, contaminando rios, nascentes e afluentes, provocando impactos irreversíveis para o meio ambiente e para saúde humana. Durante as chuvas, os compostos químicos caem no lençol freático e os animais e seres humanos ficam vulneráveis à contaminação causada pelos agrotóxicos. Há denúncias também, de que o Rio Santa Cruz está agonizando e morrendo, sobrevivendo em raríssimos trechos, onde ainda existe água em barragens ilegais utilizadas para irrigar os plantios de eucaliptos.

Assista:

A Veracel foi acusada de contaminar as águas do Rio Jequitinhonha:

A Veracel é acusada de contaminar lençol freático na área do seu viveiro por uso de agrotóxicos em Eunápolis (leia aqui).

Flagrante: Trator com veneno a poucos metros de uma residência

Desrespeito aos povos indígenas:

Parte das terras requeridas pela população indígena do Extremo Sul da Bahia, em seus respectivos processos de demarcação, estão totalmente ocupadas por eucaliptos da Veracel, mesmo se tratando de áreas historicamente indígenas. A empresa só reconhece como terra indígena apenas 03 (três) áreas: Imbiriba, Barra Velha e Águas Belas, tornando invisíveis outras 13 comunidades, a saber: Aldeia Guaxuma, Pé do Monte, Aldeia Nova do Monte Pascoal, Corumbauzinho, Craveiro, Alegria Nova, Tauá, Tiba, Cahy, Pequi, Trevo do Parque, Meio da Mata, Boca da Mata.

Destruições de alimentos:

Movimentos sociais acusam a Veracel de destruir lavouras de mandioca, melancia, amendoim, abacaxi, abóbora, maxixe, dentre outras, provocando o desabastecimento das feiras livres e enormes prejuízos aos agricultores.

Plantio de mandioca sendo destruído

Fomentos sob suspeita:

Em entrevista , dada à epoca, pelo atuante promotor de justiça de Eunápolis, Dr. João Alves Neto, ele disse que foi observado que os fomentados também estariam juntos na prática de tais crimes cometidos pela Veracel, assinando documentos falsos de limite de área, emprestando seus nomes e suas contas bancárias para lavagem de dinheiro. “De tudo isso já temos documentação e vamos levar para os órgãos competentes. Observamos até um caso recente, no dia 3 de março, em Itabela, quando foram apreendidos dois caminhões carregados com eucalipto sob a alegação de que houve furto de madeira de um fomentado da Veracel”.

Veracel é isenta de pagar vários impostos (fonte Racismo ambiental):

Em reportagem publicada na terça-feira 18 de julho de 2017, pelo Jornal do Brasil, que diz:

Além dos lucros exorbitantes oriundos da ocupação irregular de terras públicas, segundo dados fornecidos pela própria empresa ao PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), a Veracel é beneficiada com larga isenção fiscal para operar na região.

Veja abaixo, os impostos que são tributados a empresa, e os impostos que foram isentos das suas atividades econômicas:

PIS/COFINS: Por ser a Veracel uma empresa focada nas exportações e, por não haver incidências destas duas contribuições (PIS/COFINS) nas vendas para o Mercado Externo, a empresa possui um saldo credor acumulado, oriundo das aquisições de matérias-primas e equipamentos destinados à produção de mercadorias exportadas.

IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO: A Veracel não está gerando estes dois impostos nas operações contábeis. Por apresentar um prejuízo fiscal acumulado.

ICMS – Foi concedido pelo Governo Estadual Diferimento do imposto para aquisições internas de matérias-primas e ativo imobilizado, assim como Diferimento do diferencial de alíquota nas aquisições de bens interestaduais destinados ao ativo imobilizado. Portanto, como também todas as vendas de celulose são destinadas ao mercado externo, gozando assim da “não incidência” deste imposto, as operações da Veracel não geram ICMS.

ISS – A Veracel não é contribuinte deste imposto, por não ter em suas operações a atividade de prestadora de serviços, porém, por força de Lei, a Veracel está obrigada a reter o referido imposto de suas contratadas e repassar para as Prefeituras dos Municípios de sua influência. Para efeito de estimativa deste imposto, tomando como base os anos de 2004 e 2005, estimamos que o valor anual de recolhimento do ISS, contemplando todos os Municípios será em torno de R$ 10.000.000,00 (Dez  Milhões de reais).

Portanto, segundo o relatório do (PNUD) o único imposto que vem sendo pago (por força de lei) pela empresa para atuar na região é o (ISS) Imposto Sobre Serviços, que é insuficiente para cobrir os altos lucros obtidos, e sua correlação com os impactos ocasionados pela monocultura de celulose.

Condenações por crimes contra o meio ambiente:

Na questão de ser “ambientalmente correta”, a Veracel também não se enquadra, visto que, desmatamentos e uso indiscriminado de venenos em áreas de nascentes e rios (rio Santa Cruz), podem ser facilmente comprovados através de Ações Civis Públicas Federais e multas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) – órgão oficial do Governo Federal e responsável pelo Meio Ambiente. São exemplos os Autos de Infração do IBAMA, números 368874 de 13/03/07). E ainda, a Justiça determinou através da Recomendação nº 01 de 18/11/2005 que a Veracel cumprisse a lei e retirasse o plantio de eucalipto do entorno dos três principais Parques Nacionais do Extremo Sul (Pau Brasil, Descobrimento e Monte Pascoal).

Além disso, já houve decisão inédita, a Justiça Federal da cidade de Eunápolis (BA) condenou a Veracel Celulose em uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF), contra o desmatamento de remanescentes de Mata Atlântica em estágios avançados de regeneração protegidos pelos Decretos de Lei de N°. 99547 de 25 de setembro de 1990. A ação da justiça determinou que a empresa terá que restaurar com vegetação nativa, todas as suas áreas compreendidas nas licenças de plantio de eucalipto liberadas entre 1993 e 1996. De acordo com a sentença, a Veracel terá que retirar suas plantações de uma área de 96 mil hectares, que deverá ser reflorestada com bioma natural de Mata Atlântica. Além disso a empresa deverá pagar uma multa de R$ 20 milhões de reais por realizar desmatamento ilegal utilizando de tratores e correntões nos primeiros anos de seu funcionamento no extremo sul da Bahia, em meados dos anos 1991 a 1993.

Desempregos com a monocultura do eucalipto:

Após a denúncia pública deste desmatamento, movimentos sociais e ambientalistas passaram a ser cobrados pela sociedade, no sentido de responsabilizá-los por não apoiarem o desenvolvimento da região em parceria com um empreendimento que se comprometia a ser grande gerador de empregos para a população local, porém, os dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento apontam que a concentração fundiária promovida pela monocultura de eucalipto na região, ao invés de gerar renda e emprego, vem fomentando um contexto social de desemprego no campo, êxodo rural e desigualdade socioeconômica.

Segundo dados apresentados no relatório: Impactos socioeconômicos do empreendimento da Veracel no extremo sul da Bahia – fase I, a multinacional teria capacidade de gerar cerca de 6.000 empregos diretos e indiretos. Porém a monocultura de celulose trouxe impactos significativos na geração de empregos em determinados setores da produção agrícola, que representam um importante papel econômico e social na região. Como consequência a produção de alimentos da agricultura familiar diminuiu. Para abastecer a população, os municípios precisam importar a produção agrícola de outras cidades e estados, a exemplo do Espírito Santo, um dos principais fornecedores de produtos nas feiras e mercados locais da região. A inflação sobre os gêneros alimentícios do campo subiu e sua oferta e diversidade nos mercados diminuiu vertiginosamente.

Entre os anos de 1992 e 2003, foi demonstrado que com a diminuição ou desaparecimento de áreas de cultivo de mandioca, banana, feijão, laranja e cana-de-açúcar, pode-se estimar que em torno de 6.465 pessoas possam ter se tornado desempregadas. A única cultura que gerou empregos foi o plantio de abacaxi, em torno de 443 postos de trabalho diretamente associados. Os municípios mais atingidos foram Eunápolis e Guaratinga com a diminuição da área plantada com mandioca. Guaratinga também perdeu oportunidades de trabalho com a redução da área de feijão e Eunápolis com as de abacaxi. Santa Cruz de Cabrália também foi afetada em relação aos plantios de abacaxi e Canavieiras com o cultivo da banana, que após 1998 praticamente entrou em colapso (desapareceu).

Plantios de eucalipto demandam pouca mão-de-obra:

Foto: Antonio Varjão

O momento de alta na geração de empregos na Veracel Celulose aconteceu durante a construção de sua fábrica, que gerou em torno de 9.000 empregos, mas com a fábrica de celulose em pleno funcionamento, a empresa passou a empregar na fábrica e nas suas plantações pouco mais de 741 pessoas, em geral bem qualificadas, vindas de outras regiões do país. De fato, a produção da celulose contribui pouco para a geração de empregos. Pois trata-se de um setor altamente mecanizado, que com poucos trabalhadores monitorando a produção, consegue alcançar alta lucratividade.

Ou seja, se por um lado houve alguma geração de empregos na atividade da celulose, por outro lado houve o esvaziamento e desemprego no campo, gerando a superlotação das cidades e o aumento da demanda por trabalho, moradia, educação, infraestrutura, saneamento básico, saúde, educação, segurança e etc.

Superlotação das cidades e a falsa ilusão de grande desenvolvimento:

De acordo com o IBGE, por exemplo, o censo demográfico de Porto Seguro em 1991 foi de 34. 661 habitantes, em 1996 foi de 64.957 habitantes, isso representa um crescimento de 87,40% em apenas cinco anos, equivalente a uma taxa média de crescimento de 17,58% ao ano, e no último censo de 2000 foi de 95.721 habitantes, o que representa um crescimento de 176, 16% em apenas nove anos com relação ao ano de 1991, equivalente a uma taxa média de crescimento de 19,57% ao ano.

Até meados da década de 90, o município de Porto Seguro ainda poderia ser considerado como uma pequena e pacata cidade do interior, com 34.661 habitantes. Porém, desde os anos 1990 aconteceram profundas transformações econômicas, sociais, ambientais e geográficas na região, impulsionados dentre outros fatores, principalmente pela implantação da Veracel celulose, que ao gerar desemprego e êxodo no campo, contribuiu para superlotação das cidades, a exemplo de Porto Seguro, que saltou de 34.661 mil habitantes em 1992, para 95.721 habitantes em 2000, atualmente, o município conta com a população de 146.625 mil habitantes, conforme estimativas do IBGE de 2018. O mesmo aconteceu com o município de Eunápolis, que saltou de 70. 591 habitantes em 1991, para 114.275 habitantes em 2010 e em 2018, segundo estimativas do IBGE, está com uma população de 112.318 habitantes.

Questionamentos contra as isenções e benefícios dados à Veracel:

Diante de todo o contexto exposto, fica aqui um questionamento do por que uma empresa que ocupa milhares de hectares em terras públicas, cuja documentação é questionada, sendo investigada pela justiça (leia aqui) e exercendo atividades em 40% de terras agricultáveis do município de Eunápolis, continua em pleno funcionamento, sendo isenta de impostos como, CSLL, PIS/COFINS e ICMS, gerando superlotação das cidades, desemprego e êxodo no campo, concentração fundiária, impactos ambientais, sociais e econômicos.

Até quando o Brasil continuará sendo o quintal dos países do “primeiro mundo” e suas multinacionais, deixando que suas riquezas naturais e sua população continuem a ser exploradas livremente para o enriquecimento do grande capital internacional?

Não podemos dar parabéns à Veracel Celulose com tantas informações negativas, pois suas atividades em nossa região revelam a manipulação das grandes mídias e escondem fatos de grande interesse da população do extremo sul da Bahia.

71 entidades assinaram manifesto com graves denúncias contra a Veracel (veja aqui):

Assinam:

1. Associação da Cidadania e Transparência da Terra Mãe – ACTTM
2. Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Técnicos de Eunápolis – ASSOCIENGE
3. Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados Bahia – Subseção Eunápolis 4. Centro de Defesa dos Direitos Humanos – Teixeira de Freitas – CDDH
5. Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul – CEPEDES
6. Sindicato dos Bancários e Trabalhadores no Sistema Financeiro do Extremo Sul da Bahia;
7. Conselho Indigenista Missionário – CIMI – Equipe Extremo Sul
8. Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Extremo Sul da Bahia – TERRA VIVA.
9. Everton Berhmann Araújo – Estudante
10. Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE/BAHIA
11. Frente de Resistência e Luta Pataxó
12. José Carneiro de Souza Neto – Engenheiro Agrônomo
13. Movimento de Defesa de Porto Seguro – MDPS
14. Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia – APLB Eunápolis
15. Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança e Vigilância do Estado da Bahia – Sindivigilantes
16. Sindicato dos Trabalhadores em Bares, Restaurantes, Hotéis, Pousadas, Condomínios Residenciais, Flats Services, Bingo, Parques Aquáticos e Similares do Extremo Sul da Bahia – SINTHOTESB
17. Sindicato dos Trabalhadores em Rádio TV e Publicidade – SINTERP – Delegacia Eunápolis – Bahia.
18. Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAC – Aliomar Figueredo Benfica – Eunápolis/ Bahia
19. Federação dos Trabalhadores na Agricultura FETAG- BAHIA
20. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Eunápolis
21. Movimento de Defesa de Porto Seguro
22. Elizaer Lucas Tavares Leite – Engenheiro Agrônomo
23. APROMAC, associação de proteção ao meio ambiente de Cianorte / PR
24. AMAR – Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Araucária – Paraná)
25. Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Teixeira de Freitas – SINDEC
26. Associação de Moradores e Amigos de Santo André – AMASA
27. Espaço Cultural da Paz – Teixeira de Freitas
28. Movimento de Trabalhadores Assentados e Acampados e Quilombolas – CETA regional Sul
29. Comissão Pastoral da Terra – Diocese Itabuna
30. Conselho Indigenista Missionário CIMI – Equipe Sul
31. Sindicato dos Trabalhadores Rurais – STR de Santa Luzia
32. Comunidades Eclesial de Base – CEBS Diocese Itabuna
33. Movimento de Mulheres do CETA – Regional Sul
34. Juventude Camponesa – Região Sul Bahia
35. Comunidade Indígena Pataxó Hã Hã Hã – Pau Brasil
36. Associação dos Índios Tupinambá da Serra do Padeiro – AITSP
37. Comunidade Tupinanbá – Oliveira
38. Pastoral da Juventude – Diocese Itabuna
39. Conferência dos Religiosos do Brasil – CRB Núcleo Itabuna
40. Movimento de Pequenos Agricultores – MPA Vit. Conquista
41. ARES – Associação Para o Resgate Social – Camacan/Bahia
42. Conselho de Cidadania Paroquial da Santa Rita – Itabuna
43. CEB’s Paróquia Santo Antonio – Ubaitaba
44. CEB’s Paróquia Nª Sª do Carmo – Ibirapitanga
45. Centro de Estudo de Bíblicos CEBI – Núcleo de Ilhéus
46. Associação Cultural Beneficente Antônio Pereira Barbosa ACAPEB – Gongogi
47. Irmãs Agostinianas Recoletas de Itabuna
48. Pastoral Carcerária de Itabuna
49. Irmãs Catequistas Franciscanas de Itabuna
50. Fórum de Educação do Campo – Regional Sul
51. Conselho de Leigos do Vicariato Sul – Diocese de Itabuna
52. Grupo Ambientalista da Bahia – GAMBÁ
53. Sindicato dos Trabalhadores Rurais STR – Mucuri
54. Sindicato dos Trabalhadores Rurais STR – Alcobaça
55. Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE Eunápolis
56. Federação de Órgãos Para Assistência Social e Educacional – FASE/ES
57. Marilda Telles Maracci – Geógrafa – Vitória/ES
58. Arlete Maria Pinheiro Schubert – Historiadora – Vila Velha / ES
59. CPT/MG – Comissão Pastoral da Terra – MG
60. Movimento Anarcopunk – ES
61. Grupo Motim de Teatro – ES
62. Fórum de Mulheres do ES
63. MPA/ES – Movimentos dos Pequenos Agricultores do ES
64. Priscila Albani Trés – Técnica em Agropecuária – São Gabriel da Palha/ES
65. Allan Jhonny de Lima Légora – Técnico em Agropecuária – São Gabriel da Palha/ES
66. Weberson Barbieri – São Gabriel da Palha/ES
67. Raul Ristow Krause – Técnico em Agropecuária – São Gabriel da Palha/ES
68. Brigada Indígena – ES
69. Sindicato dos Bancários do ES
70. Celeste Ciccarone – Antropóloga – Universidade Federal do ES – UFES
71. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – ES

Fontes:

Eunápolis: Veracel Celulose é acusada de crime financeiro e o deputado estadual Marcelino Galo sugere que Comissão de Agricultura ouça o MP

Observatório Social-Edição especial sobre o falso verde

Veracel, um histórico de agressão ao meio ambiente, corrupção e ameaças

MP ajuíza ação para Veracel desocupar terras com plantio de eucalipto na Bahia

Por que não certificar a empresa Veracel, da Bahia

A história da Veracel e os crimes praticados

Impactos da Veracel Celulose no Extremo Sul da Bahia

Justiça multa Veracel e quer retirada de florestas

Por: Jean Ramalho

 

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