A Veracel estaria com medo de perícias nas fazendas que alega ser de sua propriedade?

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Uma discussão na Justiça que já dura quase 9 anos poderá ter fim com a determinação do Juiz de Direito da 1ª Vara Cível de Eunápolis, Dr. Afrânio de Andrade Filho, que decidiu no dia 9 de Abril deste ano, que seja periciada áreas de terras com suspeitas de ter havido fraudes documentais, supostamente praticados pela Veracel que teria ainda, conseguido unificar imóveis rurais não contíguos entre sí, sobrepondo as fazendas dos irmãos Geraldo e Derolino,  provocando enormes prejuízos e destruições indevidas.

No processo movido pela Veracel, há uma declaração de um funcionário à época, Jovane Vicente que trabalhou por mais de 22 anos na empresa, em que o mesmo declara que conhece os irmãos agricultores desde os idos de 1988, pacificamente e mansamente plantando e colhendo em suas terras e que anos depois, a Veracel o enviou com outros funcionários para comprovar a posse dos irmãos,  o que foi feito sob a promessa nunca cumprida de fazer acordo com os agricultores. A Veracel em seus pedidos de reintegração de posses (?), pede a justiça autorização para destruir sem dó e nem piedade os plantios e construções, provocando humilhações, tristezas e desesperos.

A Perícia poderia por fim às disputas, mas a Veracel quer novas destruições.

Medo da Perícia?

O fato que causa estranheza é o temor demostrado pela Veracel que em vez de aceitar a perícia imposta pelo Juiz responsável pelo Processo em Eunápolis, buscando por fim às dúvidas, tem buscado ações favoráveis no Tribunal de Justiça da Bahia com o objetivo de anular a descisão do juiz local e conseguir a reintegração das duvidosas áreas contestadas na justiça. Segundo o advogado Mário Júnior Pereira Amorim que representa os agricultores Geraldo e Derolino, quem não deve não teme e a Veracel deixa dúvidas sobre a sua “conduta ética” ao tentar juridicamente fugir da perícia que certamente porá fim às duvidas sobre a exata localização da Fazenda Sítio Esperança, que no documento registrado em cartório so a matrícula 5323, tem como confrontantes a EMBAÚBA que fica distante quase 20 Kilometros do local onde a empresa projetou a citada propriedade, justamente sobre as fazendas dos irmãos Geraldo e Derolino.

Denúncias chegaram ao conhecimento da Stora Enso:

A imprensa internacional na Finlândia noticiou um vexame, protestos que interromperam a assembléia geral que ocorre todo ano na Finlândia, promovido pela Stora Enso, uma das maiores acionistas da Veracel no Brasil. As manifestações ocorreram na última quarta-feira 28 de março deste ano e as ONGs, os Amigos da Terra da Terra e os Senhores da Terra Amigos e Amigos da Terra, divulgaram documentos sobre reclamações e ações ilegais relacionadas à grilagens de terras no Brasil e eles acusaram a Veracel, empresa de propriedade da Stora Enso, de ocupações de terras ilegais e praticar violações de direitos humanos. O pesquisador finlandês, da Helsinki University of Studies Development Associate, Professor Markus Kröger esteve no Brasil e levou ao conhecimento da maior acionista da Veracel as informações sobre as graves disputas de terras e as acusações de grilagens promovidas pela multinacional brasileira.

Stora Enso estaria desinformada? Informações estão sendo omitidas?

A Stora Enso nega o abandono das terras e os despejos violentos. A empresa, através de seu diretor financeiro ,Seppo Parvi, teria entrado em contato com a Veracel no Brasil e feito perguntas sobre as acusações que foram feitas na Quarta Reunião em Helsinque e teria recebido como resposta que não estaria ocorrendo violências e não há informações sobre terras ilegais adquiridas.

Seppo Parvi
Seppo Parvi, diretor financeiro da Stora Enso e o diretor do país na Finlândia. Foto: Jussi Koivunoro / Yle

Omissões e consequências:

As omissões dos presidentes que estiveram à frente da Veracel e que não buscaram o diálogo e a apuração de várias denúncias de supostas grilagens,  poderá sair muito caro para a empresa, segundo o Advogado Mário Junior Pereira Amorim que representa ainda a Associação Miramar, o Acampamento 2 de Julho e os agricultores Geraldo Pereira e Derolino Pereira. Há indícios de fraudes em documentos de terras que a Veracel alega serem de sua propriedade e que já foram apresentadas à justiça, contendo queixas crimes muito graves em documentos de fazendas com nomes iguais, utilizados  para obtenções de reintegrações de posses em endereços diferentes das propriedades ora ocupadas, contendo ainda denúncias de documentações com georreferenciamentos registrados sem as assinaturas de confrontantes e que mesmo assim, contrariando leis brasileiras, foram preparadas em tempo recorde para dar legalidades às ações de plantios e colheitas da Veracel, fatos que estão sendo investigados pela justiça e poderão resultar em sentenças milionárias que deverão ser pagas pela empresa, caso sejam confirmados.

Veracel tem novo presidente:

Andreas Birmoser, foi apresentado em 26 de fevereiro deste ano, como o novo presidente administrativo, e anteriormente  já havia ocupado o cargo de diretor financeiro entre 2010 e 2011, além de atuar como membro do conselho da Veracel Celulose.

O novo Presidente tem nas mãos a oportunidade de fazer diferente e buscar o diálogo para resolver as graves questões agrárias. A Veracel precisa rever as suas políticas de transparência e resolver as questões discutidas na justiça de forma justa e democrática.

Quem não deve , não teme!

Foto: rastro101
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